Em vigor desde 20 de junho de 2008, como grande aposta do Estado na redução da violência no trânsito, a lei 11.705, ou simplesmente “Lei Seca”, ainda divide opiniões, mas é inegavelmente positiva em muitos sentidos, como na redução em 21% dos acidentes com vítimas. Entre os desafios encontrados está o de criar uma nova cultura entre os motoristas. Ainda restam, por exemplo, resquícios da lei anterior, que caiu, mas permanece na cabeça de alguns condutores. De acordo com a antiga legislação de trânsito, ingerir uma pequena quantidade de álcool não era problema.
Sentados nos bancos altos de um bar na praça de alimentação de um shopping do subúrbio do Rio estão os amigos Gustavo Prudente e Bruno Vargas. Gustavo, que carrega uma chave na cintura, já consumiu dois Chopes e não vê problema em dirigir depois de beber. “Estou acostumado, faço isso desde que tirei carteira. Dois chopinhos não dão pra perder o controle não”, afirma o destemido condutor de uma moto de 125 cilindradas.
Bruno veio de ônibus, mora em Oswaldo Cruz e não pega carona com o amigo motociclista. “Deus me livre. Já falei com ele para parar com isso; mostra as marcas aí”, aponta o rapaz para o companheiro, que mostra as cicatrizes obtidas nos muitos tombos que levou. Em um deles Bruno estava na garupa.
De acordo com o Ministério da Saúde, 35 mil morrem por ano em acidentes de trânsito, metade tem relação com o abuso do álcool. Para garantir que a proibição seja cumprida o governo do estado do Rio de Janeiro criou, em 2009, a Operação Lei Seca. A fiscalização rígida, que também tem objetivo de conscientizar motoristas aborda até 1.700 veículos por dia. Segundo o governo, mais de 90% da população aprova a medida.
Exibindo uma paródia da operação no peito com os dizeres: “Lei Seca, eu apoio mas chapo”, o adolescente Caio Oliveira, 16, ainda não tem idade para dirigir, mas diz que não assumiria o volante se tivesse consumido álcool. “Não, não me arriscaria. Perdi um irmão por causa disso”, disse o moço, que teve o irmão morto em um acidente em 2000, oito anos antes de a “Lei Seca” entrar em vigor.
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